A complexidade do olhar de Juli Fusco

Tudo começa pelo olhos. Um detalhe do processo criativo que diz muito sobre a artista Juliana Fusco, a @julifusco. Influenciada pelas religiões e seus rituais, Juli transpõe para as mulheres que ama ilustrar toda a complexidade humana. Elas são múltiplas, fragmentadas e incríveis por si só.

A pintura reflete a fluidez de seu inconsciente e talvez seja essa a chave do encantamento que produz no observador. Juliana é suas personagens e vice-versa.

A artista cita Picasso e Andy Warhol enfatizando o quanto é importante aprender com seus mestres. Suas referências, o homem, seus símbolos e arquétipos foram devidamente incorporados e transformados em um trabalho autoral único e imperdível.

É arte para te levar para onde você quiser, em um passeio profundo e impactante.

Arte - Juli Fusco

Como a arte entrou em sua vida?

Eu sempre adorei desenhar. Quando pequena, enchia cadernos e mais cadernos de desenhos. Era aquela criança calada que passa o dia no seu mundinho desenhando e criando histórias.

Como entramos na faculdade com pouca idade e maturidade, optei por cursar Design Gráfico, pois Artes Plásticas parecia inviável. Acabei escolhendo Design Gráfico por ter um apelo mais comercial e saber que assim seria mais fácil arrumar um emprego e ganhar dinheiro. O curso foi muito bom, pois tinham muitas aulas artísticas, desenho com modelo vivo, colagem, cinema, fotografia. Mas nunca fiquei completamente satisfeita. Há uns 3 anos, resolvi largar tudo e me dedicar somente à arte.

O que te inspira?

Gosto muito de ler sobre religiões, misticismo e simbologias, todo o aspecto psicológico e histórico disso. Gosto muito do livro O Poder do Mito de Joseph Campbell. Muitas coisas me inspiram: as pinturas faciais e vestimentas das tribos da Papua-Nova Guiné, a relação dos Xamãs com os seus guias animais, os orixás da umbanda e sua ligação com os elementos da natureza. Essa relação entre o homem e o sagrado da natureza me fascina. Mas na hora de pintar, geralmente deixo as coisas fluírem naturalmente, acho que é a melhor maneira de soltar tudo que está no meu subconsciente.

Como é um dia comum pra você?

Já fui uma pessoa muito noturna, mas hoje prefiro pintar enquanto a luz natural invade a janela. Não costumo ter uma rotina. Às vezes quando canso de onde estou trabalhando, passo o dia desenhando em algum parque ou até invento alguma viagem próxima pra ver coisas novas.

Que técnicas você mais gosta de usar?

Gosto de trabalhar com papel pois ele permite misturar muitas técnicas, aquarela, acrílica, lápis, caneta e colagem. Adoro misturar um pouco de tudo, acho que traduz um pouco dessa complexidade humana que tento expressar.

O que te dá mais prazer em criar?

Sempre desenhei mulheres, desde pequena, nem sei muito bem porque, mas é o que mais gosto de fazer.

Quais as suas maiores referências?

Gosto muito de estudar "copiando" outros artistas de vez em quando. Desde os antigos, como Picasso, Klimt, Frida até os mais novos, como Magrela, Stephan Doitschinoff, Nestor Jr., Rodrigo Blanc, entre outros.

Acho que é uma das melhores formas de aprender é copiando seus mestres.

De onde vêm as referências indígenas de seus trabalhos?

Tenho fascínio pelas religiões e seus rituais. As vestimentas, as pinturas, os objetos sagrados. Em vários dos lugares onde viajei há muito respeito e conhecimento da cultura ancestral. É uma pena que aqui no Brasil a gente não saiba quase nada sobre os nossos índios, sua cultura e língua.

Como vê a relação do feminino com a sua arte?

Alguém me disse uma vez que nós todos sempre estamos pintando a nós mesmos.

Talvez essas mulheres sejam um pouco eu ou o que gostaria de ser de alguma forma.

Quando você pinta, pensa em uma mensagem que quer transmitir ou simplesmente deixa fluir?

Geralmente, quando pinto as minhas mulheres, é um tanto curioso. Começo pelos olhos, tenho fixação pelos olhos e de repente é como se aquele ser já existisse e eu só estivesse transcrevendo sua forma. Mas isso não é regra. Muitas vezes já tenho uma ideia ou um tema na cabeça e pinto a partir disso. Às vezes crio direto e outras faço mil rascunhos antes, não há regra.

Arte - Juli Fusco

A que você atribui sua maturidade e personalidade artística?

Tenho 34 anos e desde que resolvi largar o design gráfico e me dedicar 100% à arte, acho que meu trabalho teve um salto muito grande. Acho que não existe nada sem muita dedicação.

A inspiração e o talento são uma pequena parte, que sem muito estudo e prática não valem quase nada.

Estou engatinhando. Existem diversos cursos que quero fazer e ainda tenho que praticar muito para um dia ter um trabalho consistente. Como diria Picasso, a inspiração existe, mas tem que te encontrar trabalhando.

Algum novo projeto pela frente?

Estou muito animada para aprender xilogravura e escultura.

Pra você ser artista é...

Ter o poder de criar uma nova realidade

Duas dicas para quem quer começar

Vou responder com uma frase que achei genial e li quando estava começando a pintar

Don't think about making art, just get it done. Let everyone else decide if it's good or bad, whether they love it or hate it. While they are deciding, make even more art.

Andy Warhol

Duas cores para combinar

Sou apaixonada pela combinação de amarelo e azul

Duas músicas para inspirar

Dois lugares para viajar

Japão e Budapeste

Dois sites para passear

BibliOdyssey
Medium

Duas referências para registrar

http://jornalmulier.com.br/wp-content/uploads/2015/04/2014-11-15-17.30.26.jpg
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/3/3b/La_Madone_de_São_Paulo_painting_by_Alexis_Diaz_and_INTI_in_São_Paulo_downtown.jpg

Duas coisas para não passar sem

Filmes e música

Dois livros para devorar

O Homem e Seus Símbolos de Carl G. Jung
Fahrenheit 451 de Ray Bradbury

Dois filmes para emocionar

Waking Life do Richard Linklater
Alice do Jan Svankmajer

Dois Studios da Colab55 para elogiar

@nandacorrea
@michellesantos

Duas artes da Colab55 para admirar

RRorizan
@alexandresoma
Manchas 2
@danilogoncalves

Duas palavras para nortear

Equilíbrio e paixão


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Studio na Colab55