A fluidez da aquarelista Juliana Rabelo

Juliana pinta e borda.

São muitos os talentos dessa designer que, ao buscar moda, conheceu e se apaixonou pela fluidez da aquarela.

Tudo parece ter acontecido muito naturalmente na vida da talentosa cearense de 25 anos. E é com essa mesma espontaneidade que ela compartilha todo seu conhecimento através de oficinas e dicas em seu site.

É uma maneira de retribuir ao universo pelos aprendizados que tive a oportunidade de receber.

As aquarelas de @julianarabelo falam pela artista, que tem seu mundo interno como principal fonte de inspiração. A professora extrovertida da porta pra fora dá lugar à mulher romântica, tímida, delicada – mas também forte – que aparece em seus trabalhos. Sua constante busca por autoconhecimento reflete diretamente seu processo criativo. Quando o projeto é pessoal, começa pela escrita, como um diário que vai se abrindo e dando lugar a uma poesia aquarelada.



Além de transformar em arte o que vem de dentro, Juliana se cerca de referências externas para criar retratos, quadrinhos e transmitir sua sensibilidade ao falar do outro.

Ser designer é ser apaixonado por desafios e estar o tempo todo rodeado de agentes inspiradores.

Recentemente, foi convidada para conhecer a fábrica da Faber-Castell, um marco na carreira e, principalmente, uma forma de reconhecimento. Como se ouvisse um:

Vai lá, mulher, continua, é isso mesmo!

Estímulo recebido e incentivo dado a todos que se deparam com a leveza e personalidade de seus trabalhos, de seu jardim de experimentos.

Como a arte entrou em sua vida?

Acho que, como a maior parte dos artistas, eu desenho desde muito pequenininha. Antes de entrar na faculdade, o desenho era só uma brincadeira, mas foi lá que descobri que existia uma profissão pra isso! Ainda na faculdade tive minhas primeiras experiências profissionais com a ilustração e, ao mesmo tempo, com a moda. Nesse aspecto, foi fácil decidir qual caminho seguir!

E como foi a transição da estamparia para aquarela?

Eu só conhecia as técnicas secas, até que um dia uma professora da Universidade me apresentou os lápis de cor aquareláveis, e fiquei apaixonada de cara. É muito difícil voltar a praticar qualquer outra técnica quando você se encanta pela fluidez da aquarela!

O que te dá mais prazer em criar?

Eu gosto muito de fazer retratos e, ultimamente, tenho gostado muito das experiências com quadrinhos. Meu trabalho favorito é 'Mandacaru', que pintei logo depois de uma estadia de dois meses por entre os prédios e carros em São Paulo.

Mandacaru-Juliana Rabelo

Consegue contar pra gente um pouco do seu processo criativo?

O que mais me inspira, com certeza, são as coisas que vêm de dentro - os pensamentos, os desejos, as vontades todas.

Gosto de tentar traduzir as coisas que não têm nome pra formas e cores nas minhas ilustrações.

Quando o projeto é pessoal, geralmente envolve um pouco de escrita, como um diário mesmo, depois parto para os estudos de composição e cores para dar início à finalização.

Além de oficinas de aquarela, você dá muitas dicas incríveis no seu site. Qual a importância desse compartilhar pra você?

A maior parte do pessoal é iniciante no desenho e na aquarela e é uma galera que tem muita sede de conhecimento. Pra mim, uma das coisas mais gratificantes sobre ser professora é justamente a partilha, dividir o que eu sei com quem não tem tanta experiência; fico pensando no quanto eu aprendi e continuo aprendendo com outras pessoas na minha trajetória e encaro isso como uma maneira de retribuir ao universo de alguma maneira pelos aprendizados que tive a oportunidade de receber.

Aquarelas -Juliana Rabelo

Seus trabalhos falam muito do feminino. Você acha que a arte tem a função de tocar em questões sociais importantes?

Acho que, mesmo quando não temos a intenção 'direta' de tratar de questões sociais, isso acaba acontecendo porque o nosso trabalho é muito um reflexo de quem a gente é, daquilo que a gente acredita, então isso acaba se revelando de alguma forma.

E como foi na Faber-Castell?

Acho que se algum dia alguém dissesse pra Julianinha de 12 anos que um dia ela iria conhecer a fábrica da Faber, ela jamais teria acreditado. A Juliana de 26 anos vez ou outra ainda custa a acreditar que aconteceu de verdade! Foi uma experiência indescritível, mesmo. Conhecer de pertinho os processos de fabricação dos materiais que te acompanham desde criancinha e, mais que tudo, sentir esse reconhecimento vindo de uma empresa do porte deles. É como se eu estivesse ali, misturada no meio de um milhão de pessoas, e de repente tivesse sido iluminada com uma luzinha. É um sentimento muito bom de validação, de sentir que você tá seguindo o caminho certo, é como se alguém tivesse no meu ouvido dizendo: "vai lá, mulher, continua, é isso mesmo!".

Juliana Rabelo - Faber Castell

E ilustrar ao vivo, que tal?

A live foi uma experiência totalmente diferente de tudo que tô acostumada a fazer, e ter sido a primeira ilustradora convidada pela Faber-Castell foi uma honra tão grande quanto a responsabilidade! Senti uma pressãozinha pelo tamanho do evento e pela confiança que eles depositaram em mim e no meu trabalho, mas na hora foi mais tranquilo do que eu imaginava. A equipe é muito solícita e atenciosa, eles me deram todo o suporte possível.

O que é arte pra você? Se tivesse que escolher, que nome daria ao conjunto de sua obra até aqui?

Eu percebo a arte como uma linguagem que a gente usa pra falar aquilo que as palavras não conseguem, pra chegar no outro, pra se pôr pra fora de alguma maneira. E essa segunda pergunta, gente, não sei! Jardim de experimentos? Socorro, sou péssima em nomear coisas.

Duas dicas para quem quer começar

Estudar muito e paciência com você mesmo.

Duas cores para combinar

Rosa e Turquesa ♥

Direct Message
@julianarabelo
bubblegum
@julianarabelo

Duas músicas para inspirar

Dois lugares para viajar

Jericoacoara
Icaraizinho de Amontada, tudo aqui no Ceará.

Dois sites para passear

Os portfolios da Nina Stajner e da Oana Befort <3

Duas referências para registrar

As poetisas Rita Apoena e Matilde Campilho.

Duas coisas para não passar sem

Tomar um banho de chuva.
Ver a cidade anoitecendo de um lugar bem alto.

Dois livros para devorar

Retalhos, do Craig Thompson.
Placas Tectônicas, da Margaux Motin.

Dois filmes para emocionar

Forrest Gump
Up!

Dois Studios da Colab55 para elogiar

@malenaflores
@malipi

Duas artes da Colab55 para admirar

Bird
@karinecruz
Há flores em tudo que vejo - Girassóis
@willbarros

Duas palavras para nortear

Coração aberto :)


Conheça o Studio

Studio na Colab55