A influência da diversidade cultural na estética brasileira

O Brasil é um caldeirão de misturas e acolhedor por natureza. Já recebemos italianos, japoneses e, mais recentemente, os sírios também nos encontraram de braços abertos. Somos todos frutos da união das diferenças e diretamente influenciados por elas, inclusive artisticamente.

Mas o quanto essa diversidade está presente no trabalho dos artistas brasileiros? Alguns super ilustradores nos contaram sobre suas referências e sobre o quanto suas estéticas sofrem influência de outras culturas.

Magenta King

Ilustrador e quadrinista. Em seus trabalhos é visível a forte influência de artistas asiáticos, como Taiyo Matsumoto e Katsuya Terada (Japão) e também Kim Jung Gi (Coréia do Sul). Paul Pope e Nicolas De Crecy, respectivamente dos Estados Unidos e França, também são referências.

"O que me motiva a procurar [artistas diferentes] e gostar da arte, é o visual mesmo".

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Fernando Tosko

Plural, o morador de Limeira, interior paulista, é inspirado por artistas do mundo todo, que vão de telas como Lautrec (França), Gustav Klimt e Egon Schiele (Austria) à paredes como Aryz (Espanha), Edgar Saner (México), Alexis Diaz (Porto Rico), INTI (Chile), OsGêmeos e Speto (Brasil) e resultam na criação de um bestiário bem autoral. Tosko diz que por nascer e viver no Brasil já está acostumado com a pluralidade artística.

"Vejo a nacionalidade de cada artista como algo que transforma o olhar para o trabalho, aumentando nosso vocabulário visual e cultural".

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Sapo Lendário

Casal de designers de Caruaru/PE possui referências que vão desde a Coréia, com Kim Jun Gi, até os Estados Unidos, com Geof Darrow e Anna Cattish, passando por França (Moebius) e Alemanha (Loish), além de Rússia (Zorin Vasili) e Austrália (Ashley Wood). Mas são mesmo fascinados é pela cultura japonesa, disseminada pelos mangás, animês, tokusatsus (séries de heróis) e por pessoas peculiares que só se encontra por lá.

"O que nos encanta são os trabalhos, independentemente de nacionalidade, sexo, religião, ou qualquer coisa do tipo".

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Este post foi escrito em colaboração com Eder Modanez do Studio @giganteguerreiro


Todos concordam que são influenciados pelo local onde vivem. Para Tosko tudo ao seu redor pode ser motivo para um novo trabalho. Como ele mesmo diz "vejo como algo que está sempre em mudança, (...) levando seu trabalho para outros caminhos a partir do que você está vivenciando no espaço físico".

Magenta King também vê o local como um agente modificador. Vivendo na capital paulista, ele tem o ambiente urbano como cenário de suas histórias. Por outro lado, o mesmo local que inspira e motiva a criação também impõe obstáculos.

O Sapo Lendário encontra dificuldade na busca por capacitação e material para a produção: "Felizmente temos a internet que nos ajuda a superar todas essas barreiras".


Sobre o artista

Éder Modanez tem ascendência luso-italiana, mas foi criado com animações japonesas numa cidadezinha pacata do interior paulista. Formado em design gráfico há 8 anos trabalha com design de livros, ilustrações e histórias em quadrinhos em seu estúdio Gigante Guerreiro.


Arte do header de @werlangpaperstudio.