Onde estão as mulheres criativas? Deixe a MORE GRLS te contar

Você é da área criativa?
Olhe em volta: quantas mulheres trabalham com você?

De acordo com o Meio e Mensagem, hoje no Brasil apenas 20% das vagas criativas são ocupadas por elas. Em cargos de liderança, a porcentagem cai para 2%, número que, comparado com a média de 15% que vemos nas outras áreas, é absurdamente baixo.

Foi pensando em uma forma prática de dar visibilidade a essa discrepância e aos talentos femininos que Camila Moletta e Laura Florence se uniram para lançar a plataforma MORE GRLS, o primeiro mapa de criativas do Brasil.

Conversamos com as empresárias para entender como cada um pode se tornar um agente de mudança e falamos também sobre a importância de iniciativas como a delas pra um futuro mais igualitário, num um bate-papo imperdível que você lê em seguida.

Como vocês encaram as estatísticas alarmantes sobre o papel da mulher na indústria criativa?

Como um problema grave porque, ao longo do tempo, uma série de estereótipos femininos foram criados, especialmente em agências de publicidade e na propaganda.

Há também falácias e preconceitos relacionados a mulheres criativas: mulher prefere atendimento, não existem tantas mulheres talentosas quanto homens, mulher não tem bom humor...

Além disso, os clientes que contratam serviços criativos não conhecem a estrutura das agências a fundo, para cobrarem mudanças. Então, há um papel educativo que a gente precisa desempenhar também.

E aí entra o projeto MORE GRLS...

Exatamente! A plataforma que construímos é uma vitrine de talentos, onde criativas podem se cadastrar e ser encontradas com facilidade não só para trabalhos, mas também para divulgação na mídia e juris de premiações.

Parece óbvio que se 85% do poder de compra é feminino, o pensar feminino deveria ser valorizado. Enquanto isso, vemos líderes de agências contratando cada vez mais homens para a criação, um raciocínio que não faz o menor sentido
Camila Moletta

Nosso objetivo é contribuir para a criação de mensagens mais inclusivas e empáticas, além de ajudar a mudar a cultura do overwork, a eliminar o preconceito sobre o talento feminino, ajudar as marcas a representarem corretamente as mulheres e a fortalecer a autoestima de tantas mulheres criativas que entram no mercado de trabalho.

More grls - pela inclusão de mulheres na indústria criativa

Quais são as frentes práticas do projeto?

Além da plataforma, temos nossas redes sociais que têm o papel de aumentar o awareness da causa e educar o mercado sobre as boas práticas e o que precisa mudar.

Estamos estruturando duas novas frentes: o headhunting para criativas na liderança e a consultoria organizacional para ajudar as agências a receber melhor suas criativas e mantê-las motivadas e produtivas.

Já temos mais de 2 mil cadastradas na plataforma, mais de 3 mil seguidores no Instagram e Facebook – números bastante expressivos, considerando o tamanho do mercado e nosso tempo de atuação. Nascemos em 2017!

Como é o futuro com more grls?

Queremos mudar o cenário criativo no Brasil, para que as marcas passem de contribuintes da cultura machista para influenciadoras de uma nova cultura, onde as pessoas são vistas sem estereótipos e preconceitos, principalmente as mulheres.

Para isso, precisamos começar a veicular o exemplo positivo. Retratar as pessoas e as famílias como elas são. Com a frequência dessas mensagens, a cultura se transforma mais rápido.

É triste ver que em 2018, o mercado da comunicação, que teoricamente deveria refletir o que é mais moderno, ainda tenha dificuldade de entender a força criativa das mulheres
Laura Florence

E as mulheres precisam persistir, porque há pouco tempo não se falava nesse assunto, nem se assumia o problema. Hoje a falta de mulheres na criação está sendo discutida nas reuniões de board das agências e, principalmente, junto aos clientes. O cenário vai mudar. Talvez essa geração não sinta ainda os avanços da causa, mas a próxima com certeza vai encontrar um ambiente de trabalho bem mais evoluído.


Criar é construir um novo mundo, com novas referências, nova cultura, imaginário, desejos. Por isso, a criação é um lugar de poder. Um lugar que devemos ocupar para criar um mundo que acompanhe nossos desejos e direitos.
Maria Guimarães, fundadora 65/10

Equidade de gêneros é prioridade na agenda das grandes empresas, agências e economias do mundo. Não será diferente no Brasil. É prerrogativa para os clientes do mercado brasileiro que esperam que suas equipes de criação reflitam a sociedade de maneira mais representativa e com novos olhares.
Laura Chiavone, CSO Tribal Worldwide

Grupos heterogêneos de trabalho geram múltiplos pontos de vista, ideias mais ricas e reais que nos representam como seres humanos. MORE GRLS incentiva igualdade de gêneros na criação, iniciativa que, tenho certeza, enriquecerá nossa comunicação.
Claudia Zapparolli, Diretora de Marketing Philips


MORE GRLS – Camila Moletta e Laura Florence

Laura Florence

Vice-Presidente de Criação da LOV, uma agência do grupo DAN. Começou a carreira criativa como redatora aos 17 anos e passou por agências off line e digitais como DM9, Publicis, Ogilvy e R/GA. Adora treinar pessoas, criar novas tecnologias e metodologias, trabalhar em formatos inovadores e construir marcas com propósito. Além de feminista ativista, é corredora amadora, mãe de adolescente, escritora e palestrante.

Camila Moletta

Designer gráfica de formação, há mais de 15 anos no mercado, especialista em Branding e Customer Experience. Com mestrado pela London College of Communication, passou por agências renomadas como Tátil Design, Ana Couto Branding, Landor Associates em Londres e Isobar Brasil. No MORE GRLS encontrou um trabalho com propósito.


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Ilustrações de Camila Rosa: https://www.colab55.com/@camixvx