Pensar, projetar e executar: o processo criativo de Walter Spina

As estampas incríveis de Walter Spina, o @spinadesigner, muita gente já conhece ou viu por aí. O que não se imagina é que o mundo da moda é morada recente do talentoso designer.

Depois de trabalhar com marketing e publicidade, Walter se diz ainda em fase de aperfeiçoamento, experimentando técnicas e materiais para criar suas estampas.

De quatro anos para cá, ele tem feito o que vê como a essência de ser designer: pensar, projetar e executar. Simplesmente.

Walter Spina - Artes

Spina fala desse transpirar que a profissão exige: muitas pesquisa, busca por referências, novidades e muita, mas muita mão na massa.

Arte é uma fonte de história, de discurso, de provocação. Não existe nada mais inspirador. Ela nos ensina a olhar e perceber o que realmente importa.

Com doses de inspiração e transpiração, sua arte vai dos estúdios de Campinas, onde cria junto com o pessoal do Estúdio Graphique, às passarelas do São Paulo Fashion Week, capas de singles e publicações internacionais.

Como foi o seu caminho até o design?

Quando criança e adolescente, sempre gostei de jogos como LEGO, por isso pensei em fazer arquitetura. Mais velho passei a me interessar por webdesign, o que me levou a cogitar design como profissão também. Dentre os cursos que me inscrevi, passei em design, na Facamp, um curso mais generalista, com design gráfico, web e também de produto.

Você consegue classificar seu estilo artístico?

Nunca tive um estilo, meu interesse por ilustração despertou quando me voltei para a área de design de estampas, há 4 anos. Tive que correr atrás, aliás, estou correndo ainda. Experimentando técnicas e materiais.

Seu trabalho é mais voltado para moda e design de estampas. Como foi seu percurso até a estampa no SPFW 2016?

Depois de formado fui trabalhar com publicidade, mas sempre tive fascínio por estampas. Foi então que saí do meu emprego em uma agência de publicidade para me dedicar integralmente a um curso na área. O empenho valeu a pena e fui contratado pelo professor do curso, após a conclusão.

A estampa que já esteve muitas vezes nas passarelas do São Paulo Fashion Week foi desenvolvida pelo Estúdio Graphique. Mas em 2016 pude ver uma das minhas criações desfilada pela Ellus.

Lembro que não foi um trabalho apenas meu, mas da equipe do estúdio e também da marca, que tem ótimos profissionais que ajustaram e aperfeiçoaram um trabalho que eu iniciei.

Quais as principais técnicas de ilustração que você usa na criação de estampas?

O mercado brasileiro utiliza bastante bancos de imagens, sendo a manipulação fotográfica muito utilizada nessa área. Mas recentemente estamos vendo o ressurgimento das técnicas manuais nas estampas, sejam elas caneta copic, marcador, aquarela, guache...

Como funciona o seu processo criativo?

Não tenho um processo de criação específico no trabalho que desenvolvo fora do Graphique. Geralmente busco referências, vejo o que já foi feito, busco novas formas de abordar um tema e coloco a mão na massa. Estou em uma fase de experimentação. Testando traços, técnicas e estilos.

Você ministra palestras e cursos de Design de Estamparia. Como é dar aula? Qual o perfil dos alunos que procuram o curso?

Já ministrei palestras e esse ano vou iniciar meu primeiro curso na área. Estou ansioso, mas me sinto preparado. Geralmente os alunos são designers, ilustradores ou artistas sem experiência, querendo conhecer mais do mercado e buscando dicas de como se inserir nele.

Alguma dica especial para quem quer entrar para indústria da moda?

Um bom começo é ficar antenado com o que acontece nos desfiles, aperfeiçoar suas técnicas artísticas e, principalmente, dominar softwares com o Photoshop e illustrator. Depois é montar um portfólio, mostrar seu trabalho e buscar interessados.

Com base na sua experiência, que cursos e referências indica?

Nos últimos anos surgiram vários cursos, com profissionais que se dedicam a área de moda. Acho todos válidos como forma de aperfeiçoamento e conhecimento da visão e postura profissional de cada um.

Fiz cursos com profissionais que me ajudaram a expandir meu conceito de design de estampas e quero fazer outros. Nessa área cada um tem um estilo e isso é muito curioso. E ótimo, pois permite a indústria a diversificação de traços, estilos etc.

Morar em Campinas te influencia criativamente?

Hoje em dia não é difícil buscar conhecimento, referências e aquele start criativo. O Instagram é um ótima ferramenta, se você souber utilizar. É um meio de conhecer novos artistas, a extrapolação e mistura de técnicas, ver o que está sendo experimentado pelos outros profissionais.

Campinas, apesar de ser uma cidade de grande porte, infelizmente deixa a desejar na área de cultura. Na capital, São Paulo, há mais oferta e diversidade, além de uma maior pulverização da cultura.

Walter Spina - Artes

Você também participa de diversos concursos. Como foi ver a cantora Joss Stone escolher uma arte sua?

Sempre gostei de participar desses concursos, embora muita gente tenha ressalvas, e com razão. Eu participo quando acho interessante como experiência criativa. Até para ter contato com briefings e outros profissionais avaliando sua criação. Geralmente esses concursos têm briefings específicos, mas que permitem uma liberdade criativa considerável.

No caso do concurso mundial que escolheria a capa do álbum de cantora Joss Stone, o que me interessou foi poder contribuir e, se tivesse sorte, ter um trabalho com grande visibilidade. No final não tive a proposta em primeiro lugar, mas ela foi escolhida como capa do single da cantora, veiculado nos canais oficiais dela, em reportagens de veículos importantes, como The Telegraph e o The Wall Street Journal

Algum trabalho ou estampa pela qual tenha um carinho especial?

Moda é algo muito rápido. Quando crio sempre gosto da criação, mas depois a mais nova a substitui nesse "ranking do amor".

Mas há trabalhos pelos quais tenho um orgulho enorme, como as duas estampas que consegui emplacar no livro do concurso Estampa Brasil, promovido pela Renner. Foram estampas todas desenhadas a mão, desenvolvidas na época em que eu não trabalhava na área. Foi algo que me encorajou a seguir em frente.

Walter Spina - Artes

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Spinadesigner Walter Spina - Artes

Duas músicas para inspirar

Amo escutar música, faço isso o dia todo. Eleger duas músicas inspiradoras é algo muito difícil, mas lá vai:

Dois lugares para viajar

São Paulo, que eu amo.
Amo Curitiba também.
Tenho muita vontade de conhecer a Espanha, está nos meus planos.

Dois sites para passear

Amo o Behance e o Pinterest
Sempre encontro algo legal e ótimos artistas gráficos.

Duas referências para registrar

Gosto muito do Josef Frank e ultimamente tenho acompanhado o trabalho de uma artista chamada Caleigh Illerbrun, pelo Instagram e Behance.

Duas coisas para não passar sem

Música e vinho

Dois filmes para emocionar

Tudo sobre minha mãe, do Almodóvar
O fabuloso destinho de Amélie Poulain, do Jean-Pierre Jeunet

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Dentre muitos trabalhos bons, gosto dos:


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@nandacorrea
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