Prazer, não me chamo estampa étnica

Como você chama a estampa abaixo?

Estampa étnica: o verdadeiro nome

a) Étnica
b) Tribal
c) Africana

Se você respondeu... qualquer uma das opções, temos um mini-curso rápido pela frente! E tudo começa no significado de Etnia:

População ou grupo social que apresenta homogeneidade cultural e linguística, compartilhando história e origem comuns

Ou seja: usar o termo estampa étnica só significa dizer que ela foi criada por um grupo que compartilha as mesmas culturas e tradições. Não diz muito, né?

A mesma coisa pra estampa tribal. Que tribo? E estampa africana então? Dá mesmo pra juntar a arte e o estilo de um continente inteiro num único nome, ainda mais um tão grande e rico cultural e visualmente como a África?

Então vamos dar nome e sobrenome aos tecidos, técnicas, tribos e etnias que mais marcaram o mundo da moda e banir o termo estampa étnica de vez dos nossos dicionários, porque generalizar menos é mais.

Ikat

Famosa pelo seu apelo boho, a produção de Ikat está hoje por onde quer que você ande. Inclusive, há indícios de que a técnica – embora super complexa – tenha surgido ao mesmo tempo em diversos países como Peru, Guatemala, Yemen, Japão, Índia, Usbequistão e Indonésia.

Mas o nome vem da palavra Malaia mengikat, que significa amarrar. Pasmem: o tecelão precisava saber exatamente onde tingir cada fio natural antes de ir pro tear. Ele amarrava os chumaços de tecido de forma a evitar que a tinta pegasse em certas partes.

Ikat: estampa étnica

A marca registrada do Ikat é o sobe e desce que fica com o aspecto borrado e que lembra muito tie-dye – não é à toa: as técnicas são realmente similares, só que no tie-dye o fio é tingido depois de tecido, pulando a parte do quebra-cabeça (bem mais fácil, né?).

Ganado

Viagem no tempo pro centro-oeste dos Estados Unidos, região onde, no final do século 19, encontramos os índios Navajos e sua extensa produção de tapetes.

Estilo Ganado: estampa étnica

O estilo Ganado, ou padrão Ganado, ficou conhecido pelas cores vivas, que eram quase tão valiosas quanto especiarias. O vermelho Ganado é a cor de fundo dos tapetes do estilo, e há sempre um ou dois diamantes no centro, cercados de preto, cinza e branco, num design totalmente geométrico.

Dutch Wax e Batik

Pula pra África, pra entender como a estamparia que todos nós reconhecemos genericamente como africana é, na verdade, originada na soma de diversas partes.

Tudo começa nas Índias Orientais Holandesas, AKA Indonésia, quando se usava cera para criar uma barreira à prova de tinta e conseguir tingir padronagens nos tecidos – o chamado batik, que na verdade surgiu na China e na Índia.

Dutch Wax: estampa étnica

A história conta que, provavelmente, os holandeses mandaram africanos escravizados para a região como reforço militar e eles curtiram tanto a técnica manual que levaram tecidos pra casa, criando na África um verdadeiro frisson por aquele estilo visual.

Aperta o >>, passando por invenções belgas e muita importação da Indonésia e entra em cena a empresa holandesa Vlisco, que desde 1846 produz o Dutch wax, tecido com impressão resinada, assim como o batik, para suprir o mercado quente da África ocidental, especialmente Gana.

Vlisco: estampa étnica

As grandes características do Dutch wax são as cores super viva dos dois lados do tecido – você nem nota o que é frente ou verso – e as padronagens diversas, que ganharam nomes bastante criativos.

Um dos padrões mais famosos, “You fly, I fly”, mostra uma gaiola com a porta aberta e um passarinho escapando. É geralmente usado por mulheres recém-casadas como uma sutil ameaça a seus novos parceiros :)

You fly, I fly: estampa étnica

Kilim

A próxima história se passa na Turquia (e no Irã, Rússia, China, Paquistão, Marrocos e Índia – porque já vimos que na história da humanidade tem muita gente inventando as mesmas invenções).

Kilim: estampa étnica

A palavra em si, kilim / kelin / kilin / klin, é de origem turca e significa "dupla-face". É também o nome dado aos tapetes de lã sem toque aveludado (porque são tecidos sem nós, mais como um bordado) que você encontra em qualquer loja de decoração hoje em dia.

Um dos motivos turcos mais conhecidos no kilim é a Elibelinde, figura feminina que repousa as mãos no quadril, como um símbolo de fertilidade e maternidade:

Kilim Elibelinde: estampa étnica

Aguayo ou Andino

Por fim, terminamos nossa volta ao mundo têxtil nos Andes, aqui pertinho de casa, onde encontramos grande tradição de tecelagem na Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Equador e, principalmente no Peru, na região de Quechua.

Os famosos "tecidos peruanos" são feitos à mão, com diversos motivos (eu ouvi lhamas?) e corantes naturais, desde 1500 a.C. A herança Inca seguia um rígido sistema hierárquico onde alguns padrões e cores eram reservados a determinadas classes da sociedade.

Aguayo: estampa étnica

Falando em cores, as principais usadas nos aguayos – os panos resistentes e multiuso que carregam de comida a bebês – são preto, branco, verde, amarelo, laranja e vermelho, cores mais fáceis de se encontrar na natureza.

A produção hoje é industrial e do tecido são feitos milhares de outros artigos, como bolsas, carteiras, gorros e muitos outros ítens que encantam qualquer turista.


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