Zansky: a arte do encontro entre o pop e o tradicional

Zansky é um artista múltiplo. Designer, ilustrador, serígrafo e sempre aberto à experimentação. Tanto é que seu projeto mais recente, em parceria com a ilustradora Rebeca Catarina, é criar usando a mão oposta, dublando a direita com a esquerda. O que a um primeiro olhar pode parecer difícil, para ele é liberdade estética e puro exercício de criatividade.

Com ele é assim: não há inspiração sem transpiração. Seu processo criativo é objetivo. Ele lê, pesquisa, esboça suas ideias e produz trabalhos incríveis, como os que podemos ver em seu Studio @zansky. Apaixonado por técnicas como a riso e a serigrafia, Zansky interpola o tradicional à uma psicodelia contemporânea, o que confere uma assinatura particular e orgânica aos seus trabalhos.

Zansky - Serigrafia

O artista produz e assina, com convidados, as Edições de Zaster, que considera seu laboratório de estética e impressão. Zansky também já criou ilustrações para revistas como Bravo!, Galileu e Super Interessante. Criando, medindo e insistindo, ele traz a multiplicidade do mundo na sua arte.

Como foi o seu caminho até o design?

Bem, atualmente sou bem mais ilustrador que designer, mas ainda faço alguma coisa. Eu antes de estudar qualquer coisa da área queria trabalhar com publicidade, entrei na escola técnica Carlos de Campos num curso que se chamava na época Desenho de Comunicação (hoje acho que chama Comunicação visual ou design gráfico com duração bem mais curta) e lá vi que publicidade não era pra mim, mas o design sim. Prefiro resolver problemas e ter alguma abertura para experimentação gráfica a vender coisas.

Para mim, ser designer é resolver problemas e não criar firula

Você consegue definir seu estilo artístico?

Quem está de fora consegue dizer que tenho um estilo, mas pra mim tenho alguns caminhos diferentes. Tendo a concordar sobre o psicodélico mas não 100%. Tem se a impressão que uso muitas cores, mas costumo usar 3 e elas sobrepostas viram mais. E também sempre substituo a cor preta por alguma cor que dê contraste, quando necessário.

Zansky - Artes

Além de designer e ilustrador, você é também serígrafo. Como foi esse percurso e qual a importância dos processos gráficos mais artesanais na sua vida profissional?

A serigrafia sobre papel entrou na minha vida quando fiz Artes Plásticas na UNESP e minha turma teve a sorte de ter tido aula sobre a técnica com a Tica, que fazia mestrado na época e tinha um estúdio onde fazia tiragem em serigrafia para artistas, e compartilhou seus conhecimentos em impressão sobre papel. Na mesma época (2003), eu entrei pro coletivo BASE-V e fazíamos uns lambe-lambes e livros usando a serigrafia. Essa prática com o BASE-V foi aprofundando a parte técnica, além de aprender algo mais internet a fora. Depois de um tempo paramos de imprimir e aí montei a Edições de Zaster onde imprimo livros/ publicações e gravuras, principalmente utilizando técnicas experimentais/ históricas da serigrafia.

Sobre processos gráficos e artesanias, tudo me encanta, qualquer que seja a coisa que faça cópias me interessa. Principalmente as mais rudimentares. Por exemplo, eu comprei uma máquina de carimbos e gravo meus próprios carimbos e imprimo também pequenos livros e prints com essas matrizes.

Falando de Riso, essa máquina não tenho, mas adoro usar, acho incrível o que se pode fazer com ela. Principalmente usando poucas cores, o que vai de encontro com o que faço nas ilustrações.

E a sua editora? Como é o dia a dia e como esse tipo de trabalho te influencia criativamente?

A Edições de Zaster é meu laboratório tanto de estética quanto de impressão. Ali eu faço meus experimentos e faço as tiragens, às vezes sozinho, às vezes com mais alguém. Agora venho trabalhando em atualizações pro meu espaço para ampliar o leque de possibilidades e produção de mais materiais.

Zansky - Editora

Você cria ilustrações para livros, produtos e revistas como Super Interessante e Galileu. Tem um carinho especial pelas publicações?

Eu gosto de fazer tudo o que você citou aí, tenho a sorte de receber os briefings totalmente abertos para que eu solucione. Essa é uma das vantagens de fazer ilustração mais autoral.

Mas falando de um trabalho que gostei bastante de fazer foi a capa do livro “Antologia da Literatura Fantástica” que foi editada pela Cosac Naify. Foi um trabalho que eu podia usar cores pantone. Eram 4 no total e eu tinha liberdade para escolher 3 delas. Li o livro e desenhei vários elementos de alguns dos contos. Foi bem interessante o processo.

Zansky - Livro

Consegue contar pra gente um pouco do seu processo criativo? Algum momento, lugar, ritual especial para criar? O que te inspira?

Pra mim essa coisa de ritual, lugar, inspiração não funciona.
Meu processo é aquele: recebo a demanda, leio o texto (quando tem) ou leio os pontos chave, faço as pesquisas e depois é partir para as ideias e botar pra fora. No meu caso já esboço diretamente no computador e ali já vou fazendo a arte final. Quando necessário tem a parte analógica também, desenhos, texturas, e depois digitalizo e complemento a arte.

Quais as suas principais referências para criar?

Gosto muito de cultura popular do dia a dia, programa de tv ruim, filme ruim, impressões antigas. Mas também gosto de ver os trabalhos do Palefroi, Sonnenzimmer, Gfeller + Hellsgard, Victo Ngai, Sarah Mazetti, Pedro Franz e Yukai Du, por exemplo.

Você faz parte do coletivo BASE-V. Como o coletivo se formou e como é pra você participar de um coletivo, o que te traz de mais positivo?

Agora estamos num momento de pausa; Mas o grupo se formou no Instituto de Artes da UNESP em 2002 a partir de uma revista em offset 2 cores que se chamava V (de visual). Era uma revista puramente visual onde se fazia tudo o que um cliente não aprovaria e a ideia era abrir para receber trabalhos de pessoas de fora do grupo. Aí surgiu o site que seria a base para receber esses trabalhos.

Funcionava até como um portal de arte gráfica mais autoral. Assim surgiu até o nome BASE-V. Eu entrei pro grupo em 2003 e cheguei a editar uma revista em pdf chamada Maguila que era publicada em média, bimestralmente entre 2003 e 2010. Quanto ao trabalho mais do grupo, além das publicações fazíamos ilustrações e pinturas murais. Depois de um tempo os murais foram o nosso forte, fazendo com frequência principalmente nas unidades do Sesc.

Trabalhar em coletivo é bem interessante, nosso grupo trabalha de uma maneira que o indivíduo é anulado em prol desse ser chamado BASE-V. Por exemplo não tem nenhum problema eu fazer um desenho elaborado e vir outro e apagar parte dele para incluir ou retirar algo. É um ótimo exercício pra vida criativa, o desapego.

Agora eu tenho um projeto coletivo em dupla com a ilustradora Rebeca Catarina, o Rart Rixers. Projeto onde dublamos a mão direita com a a mão esquerda. Tudo que produzimos usamos nossa mão oposta. Também é um ótimo exercício criativo e estético pois saem coisas mais soltas.

Duas dicas para quem quer começar

Olhar muita coisa, é bom passar um tempo vendo o que se tem produzido por aí, mas sem copiar hein!
Fazer projetos pessoais, isso é que vai direcionar seu trabalho.

Duas cores para combinar

Pantone 1565 U e Pantone 436 U

Zansky - Pantone 1565 U e Pantone 436 U

Duas músicas para inspirar

Dois lugarespara viajar

Salar do Uyuni e qualquer lugar do Japão

Dois sites para passear

http://voodoovoodoo.tumblr.com/
http://bibliodyssey.blogspot.com.br/

Duas referências para registrar

Palefroi
Victo Ngai

Dois livros para devorar

As mil e uma noites – editado em 3 volumes pela ed. Globo
Metamorfose – Franz Kafka

Dois filmes para emocionar

Profondo Rosso - Dario Argento
Muholland Drive – David Lynch

Dois Studios da Colab55 para elogiar

@silviopequeno
@camixvx

Duas artes da Colab55 para admirar

Duas palavras para nortear

Mensurar e insistir


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Studio na Colab55